terça-feira, 7 de agosto de 2012

Quando eu crescer quero escrever que nem você

Eis mais uma nota de rodapé que leio com prazer, escrita pelo professor Fernando Evangelista. Antes que passe o tempo e eu esqueça de como é bom ler seus textos, vou imprimi-lo aqui para mim e para a posteridade.


terça-feira, 7 de agosto de 2012
Emoções Olímpicas
Minha depressão começou na sexta-feira passada, exatamente às 15h58min, quando a norte-americana Katie Ledecky tocou sua mão direita na borda da piscina do Parque Aquático e sagrou-se campeã olímpica de natação. Por enquanto, ela é a mais jovem medalhista dos jogos de Londres. Katie tem 15 anos de idade.
Como escreveu Rubem Braga, “ultimamente têm passado muitos anos”. E eles, os anos, parecem mais velozes e fugidios do que a adolescente americana, nascida em 17 de março de 1997. Valha-me Deus, 1997 foi logo ali, quase um piscar de olhos, quase anteontem. Mas não foi. Faz tempo, faz um tempão.
Em março de 1997, o Brasil mal conhecia o tenista Guga Kuerten – passou a conhecê-lo depois da vitória espetacular em Roland Garros, em junho daquele ano. Logo em seguida, outro ser cabeludo surpreenderia o mundo, sendo anunciado – com pompa e capim – como o primeiro mamífero clonado da história. Faz um tempão isso, Guga está aposentado e a ovelha Dolly já passou desta para a melhor.
Foi o ano do Guga, da Dolly e do escândalo da compra de votos no Congresso, para aprovação da emenda da reeleição de FHC, que na época não gostava de maconha. Lula e o PT eram baluartes da ética e denunciaram a falcatrua. “Pagar deputados para aprovar leis é um desrespeito com a democracia”, bradou uma estrela petista, hoje encrencada com o mensalão. Faz muito tempo...
Quando a campeã olímpica nasceu, ninguém conhecia a inglesa J. K. Rowling, porque a saga Harry Porter ainda não havia sido lançada. A Princesa Diana não tinha morrido e a seleção francesa de futebol havia derrotado o Brasil apenas uma vez – na Copa de 1986. Muita bola rolou sobre os gramados desde então.
Aliás, em 1997, Neymar tinha 5 anos de idade e o maior medalhista olímpico da história, o anfíbio Michael Phelps, 12 anos. Naquele tempo, Titanic era uma famosa tragédia marítima e não um estrondoso sucesso cinematográfico.
Em 1997, a internet engatinhava e o bate-papo virtual mais conhecido era um troço chamado Mirc – que a gurizada só usava depois da meia-noite por causa da conta telefônica. Não existia tela-plana, televisão HD, iPads, iPods, Android ou Michel Teló.
Faz tempo, não? Tempo suficiente para eu ter feito alguma coisa olímpica na minha vida. Nunca ganhei uma medalha, nem subi num pódio. Esta constatação me deixou profundamente triste e logo a tristeza se transformou em depressão. Restou-me a Wikipédia, a amiga íntima dos depressivos curiosos.
Pesquisei e descobri que a atleta mais jovem a ganhar medalha de ouro foi a americana Marjorie Gestring nos jogos olímpicos de Berlim em 1936. Praticante de saltos ornamentais, Marjorie tinha 12 anos e 141 dias.
Para driblar a tristeza e preservar um fio de esperança, fui atrás da identidade do esportista mais velho a conquistar uma medalha olímpica. Este, sim, deveria ser a minha referência, o meu exemplo. Nem tudo estava perdido, afinal. Se ainda não fiz algo de realmente grande, isso não significa que não possa fazer.
Quase chorei de alegria ao descobrir que o mais velho atleta olímpico a ganhar uma medalha tinha 72 anos. Isso mesmo, 72. O sueco Oscar Swahn – este é o nome do vovô – conquistou uma medalha de bronze nos jogos olímpicos de Antuérpia em 1920. Tudo perfeito, não fosse um detalhe: ele ganhou medalha e fama mundial praticando “Tiro Duplo ao Veado”. Como sou vegetariano e a favor da diversidade, este sueco foi uma baita decepção.
A verdade é que nunca conquistei medalhas olímpicas e, pelo que tudo indica, jamais conquistarei, mas também nunca matei veados, de nenhuma espécie ou nacionalidade. Isto é o suficiente para me sentir orgulhoso de mim mesmo, em paz com o mundo e com a vida.
Depressão? Quem falou em depressão? Faz tempo que saí dessa. Para ser sincero, depois da pesquisa, até fiquei feliz com a medalha de ouro conquistada pela adolescente Katie Ledecky, que poderia estar por aí matando bichos, mas parece mais interessada em superar limites e conquistar medalhas, numa luta constante contra o tempo.
E esta parece ser a grande ironia: quanto mais os homens e as mulheres quebram recordes, superam cronômetros e limitações, o tempo se defende correndo mais e mais, para que ninguém o alcance, para que ninguém o supere, nem mesmo o jamaicano Usain Bolt. Nas olimpíadas da vida, é preciso reconhecer, o tempo nos vence sempre. Ele é imbatível. É o eterno campeão.

Fernando Evangelista é jornalista, diretor da Doc Dois Filmes. Mantém a coluna Revoltas Cotidianas, publicada toda terça-feira na Nota de Rodapé.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Nem super-heróis nem super-fracassados

Além dos textos autorais que compartilho neste blog, também gosto de guardar nesse baú as pérolas que leio na internet, revistas, livros, etc, para que eu possa voltar a ler sempre que sobrar alguns minutinhos antes da hora de passar o cartão ponto no relógio!
O texto a seguir, que me chegou por e-mail, é de Marcos Cavalcanti, criador do Centro de Referência em Inteligência Empresarial (COPPE/UFRJ). É longo, porém verdadeiro e instigante. Eis o trecho que mais gostei, e em seguida o link do texto na íntegra.


"Muito poucos são humildes para confessar que não sabem. A esperança de mudança continua sendo depositada em heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico ou o jogador. Quem vai salvar minha vida? O terapeuta. Será???Não somos  super-heróis nem super-fracassados ... Uma das coisas boas de uma  crise (econômica ou pessoal) é que ela pode nos ajudar a entender que somos os únicos responsáveis pela nossa própria vida e que só depende de nós para nos libertar desta tirania da aparência."
(http://migre.me/a2fTA)


Boa leitura!

sábado, 21 de julho de 2012

Viver ou juntar dinheiro?

Postagem dedicada ao meu pai, que sabe viver! E todos aqueles que sabem aproveitar um belo dia de sol para tomar uma água de coco na beira mar, ou nos dias frios, degustar um capuccino com um amigo especial.




[por Max Gehringer]
Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários. 
Lá vai:
"Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.
Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa... Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.
Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária. É claro que eu não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.
Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!
Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida".
"Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço."