Só agora, oito anos depois de abandonar o seio materno e de ter trilhado alguns adversos caminhos na vida a sós comigo mesma, é que descobri que minha mãe tinha, e continua tendo, razão quando dizia que “fulano não é boa companhia pra você, minha filha”! E não é que ela falava mesmo a verdade?
Pena que no auge da minha “aborrescência” não dava a mínima importância a essas sábias palavras. Mas hoje eu tenho certeza: coração de mãe nunca se engana. Há pouco tive a comprovação, ainda em tempo de me esquivar daquilo que, para ela, minha mãe, representou um perigo. Ela me avisou. A princípio não escutei, mas tive tempo de reparar tal surdez antes que houvesse danos maiores.
Segundo essa figura tão tênue, mas esperta feito leoa, tem sempre alguém melhor para ocupar o lugar ao lado da sua cria, ou filho, ao longo de sua jornada – que ela sempre há de considerar dura – pela vida.
Embora nada que eu tenha deixado de ouvir de fato me tivesse feito algum mal muito grave, hoje eu penso duas vezes antes de ignorar uma intuição da minha mãe. Ela tem faro aguçado e jamais permitirá que algo aconteça que me tire o equilíbrio, me passe uma rasteira, ou me faça chorar. Nem sempre dá certo, pois tenho choro fácil, mas o seu potencial em me proteger é forte o bastante.
Nesse sentido eu só posso concordar. Coração de mãe nunca se engana. Quiçá os filhos de hoje em dia possam ter ouvidos espertos a fim de evitar maiores confusões. Mas se for incontrolável e algum desavisado tenha seus ouvidos tapados, que tenha sorte. Não há super poderes de herói algum que tenha tão ampla cobertura. E isso não é nenhum engano.
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